quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Movimento Angicos Sem Drogas se reúne com o Ministério Público

http://correiopop.wordpress.com/2010/08/04/movimento-angicos-sem-drogas-se-reune-com-o-ministerio-publico/

O Movimento Popular Angicos Sem Drogas se reuniu na manhã desta terça-feira onde se discutiu a data para a realização do Fórum Angicos Sem Drogas com a promotora da cidade.

Houve a contribuição do Núcleo Educacionista Câmara Cascudo e da 8ª DIRED representados respectivamente por Modesto Neto e Graça Trindade.

Após a conversa ficou acordado que o fórum acontecerá no dia 21 de outubro, na semana do aniversário da cidade e que contará com a palestra inicial da promotora da comarca.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Inauguração do Núcleo Educacionista Câmara Cascudo

No dia 30 de Julho de 2010, Sexta-Feira, data do 24o. Aniversário de Falecimento de Luís da Câmara Cascudo, no Auditório do Instituto Câmara Cascudo, em Natal – RN, o Movimento Educacionista do Brasil (MEB) em parceria com o Instituto Câmara Cascudo (LUDOVICUS), inaugurou o Núcleo Educacionista do Estado do Rio Grande do Norte que recebeu o nome de Núcleo Educacionista Câmara Cascudo em homenagem as ações e idéias desse grande intelectual e professor potiguar.

Modesto Neto, Tomaz Passamani e Anna Maria Cascudo Barreto

Modesto Neto, Tomaz Passamani e Anna Maria Cascudo Barreto

Participaram da inauguração a Sra. Anna Maria Cascudo Barreto, Presidente do Instituto Câmara Cascudo e filha de Câmara Cascudo, Tomaz Passamani, Vice-Presidente do MEB e o Sr. Modesto Neto, Coordenador do MEB no RN. O Coordenador do Núcleo Educacionista Câmara Cascudo é o acadêmico Modesto Cornélio Batista Neto. O Núcleo Educacionista Câmara Cascudo funcionará com sede provisória em Angicos (RN) por tempo indeterminado. O Núcleo Educacionista Câmara Cascudo conta com o apoio da 8a. Diretoria Regional de Educação do Estado do Rio Grande do Norte sediada em Angicos e do Instituto Câmara Cascudo sediado em Natal. O Núcleo Educacionista Câmara Cascudo é responsável por todo o Estado do Rio Grande do Norte. O Núcleo Educacionista Câmara Cascudo também apoia o Movimento Popular Angicos Sem Drogas.

O amor constrói. Mas não ensina a tabuada

http://veja.abril.com.br/100310/amor-constroi-mas-nao-ensina-tabuada-p-102.shtml

Edição 2155 / 10 de março de 2010

Artigo • Gustavo Ioschpe

“Um espectro ronda a educação brasileira. É a ‘pedagogia do afeto’, e está mais para Gasparzinho do que para alma penada.”


Montagem sobre foto Latin Stock

Na teoria, ela bebe de fontes sérias, que vão da psicologia transpessoal de Abraham Maslow às ideias de inteligência emocional de Daniel Goleman. Aplicada à pedagogia, significaria alterar as práticas de sala de aula para incentivar a introdução da afetividade na relação aluno-professor e entre os próprios alunos, com o objetivo de criar um ambiente de bem-estar na escola que melhorasse o ensino-aprendizagem. Assim como a maioria dos professores brasileiros se diz construtivista sem jamais ter lido Piaget ou entendido sua teoria, também a pedagogia do afeto tem uma aplicação que, em seu simplismo, pouco tem a ver com a matriz teórica. No Brasil, usa-se essa definição para uma ideia algo difusa de que o fundamental de uma escola, de um professor, é dar afeto aos seus alunos e desenvolver com eles uma relação pessoal, suprindo a suposta carência de afeto sentida pelas crianças brasileiras.

Essa visão se espalha com enorme rapidez. Em pesquisa recente de Tania Zagury com uma amostra grande de professores de todo o país, 62% dos entrevistados disseram que "a melhor escola é aquela em que o aluno encontra professores amigos e ambiente agradável". Grupos de escolas particulares adicionam o coraçãozinho da sua pedagogia afetiva a seus anúncios, e a teoria é agora o norte pedagógico da Legião da Boa Vontade (LBV).

A pedagogia do afeto apresenta três vantagens importantes a seus adeptos. A primeira é que ela é de difícil mensuração (como se mede o amor?), de forma que é impossível dizer se funciona ou não. A segunda é que o uso do afeto serve como um antídoto ao fracasso de nossas escolas naquela que deveria ser sua primeira tarefa, a de transmitir conhecimentos da cultura universal e desenvolver o raciocínio analítico e a curiosidade do alunado. Sempre é conveniente defender-se do fracasso técnico atrás do véu propiciado por uma causa nobre. Afinal, o que é saber trigonometria diante de estar com o coração transbordante e em contato com sua alma? Finalmente, o terceiro benefício é que a pedagogia do afeto apresenta uma alternativa mais simpática para explicar o insucesso da escola em relação a seu principal concorrente, a ideologização do ensino, que pretende formar o "cidadão crítico e consciente". Você pode reclamar que seu filho não está aprendendo porque está sendo doutrinado, mas como atacar aqueles que se preocupam em criar um ambiente amoroso em sala de aula? Já vejo os seus simpatizantes pensando: "Mas o que esse cara defende, então? A pedagogia do ódio?". É um prato cheio para os maniqueístas.

Mais do que uma ferramenta cínica para cobrir nossa abissal incompetência no ensino, a pedagogia do afeto se encaixa como uma luva em duas vertentes da nossa cultura, especialmente populares entre os professores. A primeira é o maximalismo. Não basta ao docente brasileiro ser um profissional competente que consegue dar cabo de sua missão primeira (e nada simples) de transmitir aos alunos todo o conhecimento e desenvolver as habilidades intelectuais para navegar em um mundo crescentemente complexo. Isso é pouco. É preciso, também, desenvolver valores éticos, melhorar a autoestima do alunado, preservar o meio ambiente e prezar a diversidade. O bom professor precisa ser um herói, um abnegado, um missionário, um Quixote lutando contra uma sociedade que o ignora e o desrespeita.

A segunda vertente, muito estimulada pelo governo atual, é a ideia de que o brasileiro legítimo é um batalhador, que se esforça contra todas as adversidades. Se triunfa ou não, é irrelevante: o que importa é que não desiste nunca. E o faz mantendo, no processo, a simpatia e a cordialidade brejeira que ainda nos tornarão a Roma dos trópicos. Em suma, o processo e o esforço são mais importantes que o resultado. E o resultado do processo escolar – que deveria ser, antes de todo o resto, o aprendizado – fica de lado. A escola brasileira parece acreditar que terá cumprido sua missão se criar um sujeito bem ajustado, que não puxa os cabelos dos coleguinhas, ainda que não saiba a tabuada nem consiga escrever dois parágrafos concatenados.

A origem intelectual desse vírus que vai poluindo nosso discurso educacional é difusa, já que se trata de um pot-pourri de diversos pensamentos desconexos. Seus maiores praticantes no Brasil são Içami Tiba e Gabriel Chalita. Os escritos do primeiro se destinam mais a pais do que a professores, e se caracterizam pela superficialidade e autopromocionalismo dos manuais de autoajuda. Seu magnum opus, Quem Ama, Educa!, destila todos os assuntos imagináveis sobre educação dos filhos em apenas 300 páginas, com uma bibliografia de dezessete autores. É inócuo.

Já Chalita se vale de citações de grandes pensadores para convencer os leitores incautos e incultos de que se trata de um trabalho de densidade intelectual. Sob esse disfarce, esconde-se uma retórica insidiosa, com o objetivo claro de bajular os docentes, a fonte de votos do "pensador" que virou político. Na cosmovisão chalitiana, os professores são os heróis da nossa educação e as vítimas de um fracasso que é da civilização, não da escola. No autoexplicativo Educação: a Solução Está no Afeto, Chalita tenta passar do plano teórico à sala de aula, para descrever como seria uma aula afetiva: "Em matemática, física ou química, como se abordaria esse tema? Seriam feitas reflexões sobre as sensações humanas, o medo, a solidão. As retas, o plano, a trigonometria das ruas do Rio de Janeiro em que conviveram amigos – Vinicius, Toquinho, Tom Jobim (...)". Então tá. Adiciona: "Nada substitui o velho lar. A educação por conta do estado e das instituições não funciona". Assertiva curiosa para alguém que foi secretário da Educação de São Paulo, mas, pelo menos, consistente com sua práxis. Nos quatro anos em que ele esteve no cargo, os alunos sofreram: caiu em 700 000 o número de matrículas nos níveis fundamental e médio, caíram as taxas de aprovação e conclusão do ensino fundamental e mais de 300 escolas foram extintas. Mas com muito afeto.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Datena: Dispositivos Legais

http://bulevoador.haaan.com/2010/07/30/datena-dispositivos-legais/

Autor: Pedro Almeida

Aos leitores do Bule Voador e aos demais ateus do Brasil, a todos aqueles que se sentiram diretamente ofendidos pelas declarações do apresentador da Rede Band José Luiz Datena em cadeia nacional, no programa do dia 27 deste mês.

Como foi muito discutido e pedido nos comentários [4] do texto a respeito publicado aqui ontem, “Não, Datena, não temos Deus no coração”, aqui se encontra um resumo básico de alguns dos dispositivos legais que vocês podem lançar mão se quiserem demonstrar, diante da Justiça, a indignação com o preconceito e discriminação apresentados por Datena publicamente.

Primeiramente, cabe destacar que infelizmente a LiHS ainda não possui personalidade jurídica para representar o grupo de ateus a quem estas declarações atingiram. No entanto, as ações podem ser tomadas individualmente ou em grupo sob representação.

Numa primeira alternativa, segundo nosso colega Rogerio Fernandes Duarte, é possível pedir um direito de resposta. Este direito era embasado pela Lei 5250/1967 em seu artigo 29:

Lei 5250/1967:

DO DIREITO DE RESPOSTA

Art . 29. Tôda pessoa natural ou jurídica, órgão ou entidade pública, que fôr acusado ou ofendido em publicação feita em jornal ou periódico, ou em transmissão de radiodifusão, ou a cujo respeito os meios de informação e divulgação veicularem fato inverídico ou, errôneo, tem direito a resposta ou retificação.

No entanto, a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) ADPF 130-7 modifica os efeitos da lei da seguinte forma:

[...] EFEITOS JURÍDICOS DA DECISÃO. Aplicam-se as normas da legislação comum, notadamente o Código Civil, o Código Penal, o Código de Processo Civil e o Código de Processo Penal às causas decorrentes das relações de imprensa. O direito de resposta, que se manifesta como ação de replicar ou de retificar matéria publicada é exercitável por parte daquele que se vê ofendido em sua honra objetiva, ou então subjetiva, conforme estampado no inciso V do art. 5º da Constituição Federal. [...] (ADPF 130-7)

Isto não quer dizer que o direito de resposta foi abolido, mas mudou de procedimento, estando ainda legitimado no caso de ofensa, como declarado no inciso V do artigo 5º da Constituição, que diz:

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

[...]

V – é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem;

Cria-se somente um vácuo jurídico (não existe lei específica, neste caso, ao contrário do que acontece com o direito de resposta eleitoral, por exemplo, que é embasado por lei específica, artigo 58 da Lei 9504/97).

Segundo Rogerio, ainda, resume-se o direito de resposta às disposições:

* O direito de resposta continua vigente;

* O advogado continua imprescindível;

* Pode-se requerer o benefício da justiça gratuita;

* Há controvérsia sobre se a competência é da vara criminal ou cível;

* É de suma importância reunir alguma evidência, tal qual um vídeo das declarações de Datena.

* Aplica-se em analogia o Art. 14 do Pacto São José da Costa Rica e o Art. 58 da Lei 9504/1997 (REsp 885248 do STJ)..

Noutra alternativa jurídica, nosso colega Rodolfo Vietti, que comentou veementemente no texto supracitado, sugere que há também a possibilidade de um processo criminal, embasado pela Lei 7716/89 em seu artigo 20, que discorre:

Lei 7.716/86:

Define os Crimes Resultantes de Preconceitos de Raça ou de Cor.

Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. (Redação dada pela Lei nº 9.459, de 15/05/97)

Pena: reclusão de um a três anos e multa.

Dado o embasamento jurídico, Rodolfo sugere que “nos cabe noticiar o crime para a instituição competente para ver processado o ofensor. No crime em tela, por ter repercussão nacional, e por ofender bens difusos e impossíveis de serem individualizados, cabe ao Ministério Público Federal (MPF) mover a correta ação Penal contra o Datena. (…) Quanto às medidas cíveis, as ofensas do Datena foram absolutamente genéricas, ninguém foi ofendido diretamente. Isso dificulta a propositura de uma ação indenizatória ou semelhante.

Isso garante que, pelo menos na esfera criminal, pode haver uma ação contra o ofensor (Datena) a partir de ação do MPF. Rodolfo prossegue, inclusive citando o direito de resposta que foi sugerido por Rogerio, sob o respaldo constitucional:

“O que eu recomendo, antes de mais nada, é buscar a Defensoria Pública [1] a fim de que o caso seja estudado, pois a Def. Pub. tem legitimidade e poderes para ações deste porte e dimensão. Resta decidirmos se será a Defensoria Pública da União, em razão da amplitude das ofensas, ou se a Defensoria Pública do Estado de São Paulo, local de onde o Datena proferiu as ofensas, onde ele reside, e onde está situada a Rede Bandeirantes. Dependendo da posição das Defensorias Públicas, teremos uma base melhor para decidirmos quais medidas cíveis deveríamos tomar, inclusive no que se trata de direito de Resposta, previsto no artigo 5°, inviso V, da Constituição Federal.

Dadas estas orientações, ficam aqui as disposições àqueles que decidirem tomar as ações cabíveis, individualmente, em grupo ou sob representação.

Sugiro a todos que enviem uma notícia-crime ao Ministério Público Federal (MPF) e à Procuradoria da República em São Paulo (PR), descrevendo a situação (deixo ao fim um texto sugerido por Rodolfo que eu modifiquei em alguns pontos, para exemplo de descrição da alegação), a partir dos sites referenciados abaixo em [2] e [3]. “Devemos apresentar as representações em ambos os âmbitos, mesmos sendo uma instância superior à outra, como medida de assegurar o cumprimento da lei“, segundo Rodolfo.

Preencham corretamente as fichas e redijam seus próprios textos de descrição, mas colocando ao final do texto sempre as seguintes citações:

DATENA infringiu o disposto no artigo 20, parágrafo 2°, da Lei 7716/89″ e expressem o desejo de “que o JOSE LUIZ DATENA seja processado, julgado e condenado nos termos da Lei”.

Segundo o Rodolfo, dificilmente o MPF ficará inerte caso muitas pessoas façam a mesma denúncia.

.

Links de Referência:
.
[1] Site da Def. Pub. de SP – Núcleo de combate à Discriminação – Núcleo Especializado de Combate a Discriminação, Racismo e Preconceito da DPE/SP.
[2] MPF – Central de Atendimento Eletrônico ao Cidadão – Façam aqui a denúncia!
[3] PR/SP – Digi-Denúncia – Façam aqui a denúncia!
[3] Comentários relevantes no texto publicado no Bule “Não, Datena, não temos Deus no coração”.

.

Atualização: transcrição das falas do Datena contra os ateus:

http://palidopontoazul.com.br/2010/07/30/transcricao-das-falas-de-datena-contra-os-ateus/ (via ATEA)

——————————————————–

Gostaria de agradecer à contribuição do Rogerio Fernandes Duarte e Rodolfo Vietti, e aos demais que demonstraram interesse em mover uma ação no texto que publicamos.

.——————————————————–

Texto base (exemplo com base no comentário do Rufa – Rodolfo Vietti):

Ilustríssimos Senhores Doutores Membros do Ministério Público Federal

Este cidadão de bem que vos fala, brasileiro e ateu, se sentiu profundamente ofendido diante das declarações proferidas no dia 27 de julho de 2010 pelo apresentador televisivo José Luiz Datena em seu programa de televisão veiculado pela Rede Bandeirantes em cadeia nacional.

O apresentador dedicou boa parte de seu programa para denegrir a imagem de pessoas de bem que, por apenas não terem as mesmas crenças que ele, não mereciam então ser respeitadas e deveriam ser alvos das agressões veiculadas em rede nacional.

Dentre as alegações do ofensor, destacamos as seguintes:

- Quem comete um crime bárbaro é porque não tem Deus no coração

- Ateus, sem a coerção da crença religiosa e achando-se o “próprio Deus”, não tem limites morais

- Quem não crê em Deus é capaz de cometer os piores crimes

- Quem não crê em Deus não devia nem assistir ao programa dele

- Quem tem Deus no coração não comete “barbaridades”, ao contrário de quem não tem.

_ O mundo só está ruim assim por causa das pessoas que não acreditam em Deus.

Ao longo do programa, o ofensor decidiu montar uma enquete em tempo real, onde os telespectadores deveriam ligar e responder se acreditavam ou não em Deus.

Quando o número de espectadores que ligavam respondendo negativamente à questão alcançou a marca de mil, Datena interveio e se disse chocado com a quantidade de gente que não acreditava no seu Deus particular, dizendo ainda que “Quem votou “NÃO” na enquete devia estar votando de dentro da cadeia”.

Datena ainda instigou os telespectadores a continuar ligando e a votar “SIM”, pois só desta forma o “bem” venceria o “mal”, associando ateus aos piores inimigos da humanidade.

Cumpre esclarecer que o Ateísmo é posição estritamente teológica de não crença em sobrenatural e deidades de qualquer tipo, não respondendo pelas atrocidades que o apresentador cita. A moral de qualquer ateu é dita secular, pois é separada da religião e da crença, e invariavelmente se baseia nos modelos do humanismo secular, voltado para nada senão o bem da humanidade, através do desenvolvimento da ciência dentro dos padrões éticos e morais aceitos universalmente, nunca tomando como “verdades absolutas” dogmas ou imposições religiosas sem antes ponderá-las e valorá-las.

Em outras palavras, todo ateu é simplesmente um não crente em deuses, o que não diz nada sobre as alegações de imoralidade, que foram comprovadamente (em estudos científicos diversos) separadas da noção religiosa.

Num país de livre crença ou descrença e laico como o Brasil, as diferenças religiosas deveriam ser respeitadas inclusive estendendo-se aos que não tem qualquer religião, que representam atualmente quase 10% da população.

O que o Apresentador Datena fez foi de grande desvalor. Primeiramente pelo tamanho desrespeito às crenças diversas das suas, abusando completamente do seu direito de livre expressão, transformando esse direito em uma aberração jurídica que o permitiu desonrar enormemente uma grande parcela da população que nada quer senão o bem estar social ou a simples liberdade de não ter crenças.

Em um segundo momento, ao proferir seu discurso proselitista, o ofensor impele a população a aprofundar ainda mais seu ódio e desconfiança na comunidade ateísta brasileira, comprovados através de diversos estudos que apontam que os ateus são a categoria mais mal vista no país.

Tal abuso é incalculavelmente irresponsável, podendo instigar o cometimento de crimes e discriminações já antes vistas na história recente do mundo.

E em um terceiro momento, o Apresentador ofendeu diretamente a honra de cada ser humano que simplesmente não consegue acreditar nas mesmas idéias que ele acredita, ou seja, aqueles que não acreditam no mesmo Deus que ele inclusive.

Assim sendo, diante de todo o exposto acima, formalmente REPRESENTO contra o Senhor JOSÉ LUIZ DATENA perante Vossas Excelências, a fim de que ele seja processado, julgado e, por fim, condenado nos termos da Lei, como medida de Justiça e de Direito, bem como de humanidade, visto que ele infringiu o disposto no artigo 20, parágrafo 2°, da Lei 7716/89.

Grato

Não, Datena, não temos Deus no coração

http://bulevoador.haaan.com/2010/07/28/nao-datena-nao-temos-deus-no-coracao/

Autores: Pedro Almeida e Eli Vieira

Editor: Pedro Almeida

Não admira que um bordão do tipo “ter Deus no coração” faça sucesso num país como o Brasil, onde 60% da população não votaria num ateu e mais de 40% declara ter antipatia ou ódio pela categoria dos descrentes.

A associação entre imoralidade e falta de religião é antiga, mas até hoje não tem base científica alguma, muito pelo contrário, os estudos científicos publicados de alguns dos melhores pesquisadores no assunto apontam categoricamente que moralidade independe de religião.

O intrigante nesta história não é perceber que alguns permanecem cegos diante desta evidência, mas constatar que certos indivíduos ainda usam desta inverdade para fazer lobby, criar sensacionalismo e instilar ódio, bem ao estilo bíblico.

“Paradoxalmente, as religiões no mundo (…) mais parecem separar do que unir.”

Admira-nos que alguém levante a frase “isso é coisa de quem não tem Deus no coração” diante de um ato de barbárie, para fazer associação da crença em Deus ao bem, quando observamos ao longo de toda a História da humanidade muitas barbáries que foram feitas em nome de Deus ou deuses.

É de conhecimento histórico insofismável que Hernán Cortés e Francisco Pizarro chegaram à América com a espada numa mão e a cruz na outra.

Paradoxalmente, as religiões no mundo, assim como as espadas de Cortés e Pizarro, mais parecem separar do que unir. Deus, se existe, não parece dar a mínima: nem apoiar um dos lados para que o outro “perca” ele faz. Talvez se divirta observando. Ou talvez Deus adore assistir o festival de barbaridades e o circo de exposição da violência que é, também, o programa do Datena.

“É realmente sua religião que te dá balizamento moral?”

Como não cabe ficar falando mal do que não existe e, portanto, não pode se defender, voltemos ao foco: nós não temos deus nenhum no coração. Isto faz de nós marginais? Criminosos? Propensos a sair matando, estuprando e roubando? Estranho que alguém pense que sim, porque abominamos crimes hediondos como todo ser humano que seja reto, independente da religiosidade.

São intrigantes, também, os fatos de a massa carcerária ser composta, em sua maioria esmagadora, por pessoas “com Deus no coração” e de países com índices de alta religiosidade também serem países de alta criminalidade.

Nossa pergunta vai então para você, que acha que não se separa ateísmo de imoralidade: é realmente sua religião que te dá balizamento moral? Como você separa o que é certo ou errado nas doutrinas básicas da sua religião, sejam elas vindas da Bíblia, do Corão, da Torá, do Livro dos Espíritos, ou qualquer outra escritura? Dúvida legítima, pois é evidente que a moral mudou nos últimos séculos por aqui, não é mais o que está escrito nestes livros, não somente e muito menos inteiramente. Os mandamentos bíblicos não se limitavam aos dez famosos, e costumavam ser aplicados sob circunstâncias dúbias, incluindo apedrejamentos para adúlteros e filhos desobedientes. Tudo sob a tutela divina, mas pelas mãos do homem crente.

“Pessoas que só fazem o bem se estiverem sob o policiamento onisciente (…), fica uma dica: espero que continuem na igreja.”

José Luiz Datena, se não tivesse Deus no coração, seria então um criminoso, mau-caráter e bárbaro? Juntar-se-ia à massa de inescrupulosos que ele tanto critica em seu programa? Se a resposta é sim, então ele critica única e exclusivamente porque é temente a Deus, e não porque ele sente que privar outras pessoas do direto à propriedade, à vida, à liberdade de expressão, entre outros, é essencialmente e visivelmente errado.

Desde Sócrates os filósofos sabem que procurar pela vontade dos deuses para saber o que é o bem é um beco sem saída. Mas o Datena não é exatamente genial em filosofia, é? É um jornalista que diz em tom messiânico que ele é a voz de uma coisa que ele chama de “povo”. Será que este tal “povo” está sabendo disso? Crucifica-te a ti mesmo, Datena.

Para pessoas como ele, que só fazem o bem se estiverem sob o policiamento onisciente de uma entidade imaginária (i.e., Deus), fica uma dica: espero que continuem na igreja. Não ousaria outro conselho, arriscando o bem da sociedade com pessoas que alegam ter pura obediência a autoridade no lugar de noção moral secular.

“Não temos mesmo Deus no coração, sob o risco de ainda sermos orgulhosos disto.”

No Twitter de Datena, os comentários resumem-se ou a esporte ou a sangue, temas igualmente repetitivos na TV aberta brasileira. Pessoas deste calibre pensam que o “povo” deve ser “mordido” com tragédia e depois “assoprado” com futebol. E nesta programação, de vez em quando, atacar minorias como os homossexuais e os ateus gera alguns pontos de audiência. É a velha mentalidade medieval de quem ia às praças públicas, séculos atrás, para assistir as bruxas sendo queimadas vivas sob a Inquisição, sem questionar nada, sem se perguntar de onde vem essa tal condenação moral dos descrentes que figuras públicas como o Datena exibem como um pavão exibe sua cauda. Se ele é, como alega, a voz do “povo”, este “povo” tem a TV que merece.

Reafirmamos: não temos mesmo Deus no coração, sob o risco de ainda sermos orgulhosos disto. No coração de alguns, além de caber um Deus, também sobra bastante espaço para o ódio. Antes um coração ateu que um coração cheio de ódio e um cérebro de ameba.

Datena incita o preconceito e o ódio contra ateus em rede nacional

http://atea.org.br/index.php?view=article&catid=923:dia-a-dia&id=192:datena-e-os-ateus&option=com_content&Itemid=104

Datena e os ateus

No dia 27 de julho, o apresentador José Luís Datena, do programa Brasil Urgente, na Tv Bandeirantes, lançou uma pesada diatribe contra os ateus, no que foi acompanhado por seu colega Márcio Campos. É rotineiro que Datena afirme que criminosos particularmente cruéis “não têm deus no coração”, mas desta vez ele foi mais claro, associando explicitamente os tipos mais vis de criminalidade ao ateísmo. A Atea conseguiu com exclusividade esse material, que disponibilizamos abaixo. Sua reprodução é livre, desde que se registre a fonte: site da Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos, www.atea.org.br.
A emissora tem uma página de comunicação com os telespectadores. No momento, o envio de mensagens para o Brasil Urgente está desabilitado, mas uma alternativa é dirigir suas reclamações aos programas de jornalismo. Pode-se ainda utilizar sites como o reclameaqui, o Twitter Cala Boca Datena ou o Tag #CalaBocaDatena, também do Twitter. Em breve, daremos notícia sobre a série de ações judiciais a que daremos início. Os instantes de início das falas não se referem ao começo do programa.
3′30″
“Meu senhor e minha senhora, vocês que estão me assistindo agora, vocês não acham que isso é pura falta de deus no coração? Isso é coisa do ‘coisa ruim’, que eu não gosto de falar o nome. Mas deus é mais. Porque esses caras vão ser colocados na cadeia. Isso é maldade pura. Podem ter enterrado o homem vivo. Gente, matam pessoas de 70 anos de idade, simplesmente enterram praticamente vivo para tomar o dinheiro do cidadão, um outro mata o menininho de dois anos de idade no colo da mãe. Isso não é coisa do ‘coisa ruim’? Ahn? É o fim do mundo. Por isso nós temos que acreditar em deus porque deus bota o capeta lá pra baixo, velho. Esse é o grande detalhe.”
12′30″
“- Olha, eu continuo dizendo que eu acredito que as pessoas que estão comigo, me assistindo há tanto tempo (12, 13, anos) fazendo esse tipo de jornal, eu acredito que as pessoas comunguem da mesma crença que eu: deus. Não importa se você é judeu, se você é muçulmano, se você é católico, se você é evangélico, vocês acreditam em deus. Eu parto dessa pressuposição. Quem não acredita em deus não precisa me assistir não, gente. Quem é ateu não precisa me assistir, não. Mas se eu fizer uma pesquisa aqui se você acredita em deus ou não é capaz de aparecer gente que não acredita em deus. Porque não é possível, cada caso que eu vejo aqui é gente que não tem limite, é gente que já esqueceu que deus existe, que deus fez o mundo e coordena o mundo. É gente que não acredita no inferno. Esse é o detalhe. Viu, Márcio Campos? É impressionante o caso desse menino de 2 anos que foi fuzilado por um pedreiro que fuzilou e foi dormir. Você prestou atenção nos detalhes do caso da reportagem do Bitencourt? Mataram um velhinho ou não mataram, possivelmente enterraram vivo e tomaram cerveja no local. Esse aí fuzilou um garotinho de dois anos de idade. Isso não tem cabimento, isso é uma barbaridade que não tem tamanho. Não é? Olha o garotinho aí, isso é o fim do mundo. Esse é o garoto que foi fuzilado. Então, ô Márcio Campos, é inadmissível. Você também que é muito católico, não é, não é possível… isso é ausência de deus. Nada justifica um crime como esses, não Márcio?
- É, a ausência de deus causa o quê, Datena? O individualismo, o egoísmo…
- Claro!
- A ganância, né, tudo isso… e outra coisa, quando você fala que esse aposentado pode ter sido enterrado vivo, pode mesmo, porque hoje eu conversei com alguns investigadores e eles me disseram o seguinte: Márcio, tinha um pano de prato na boca dele, então colocaram um pano de prato para ele não gritar, pra não chamar a atenção da vizinhança, mais o saco plástico.Por isso, é muito provável que ele possa realmente ter sido enterrado vivo.
- Só pode ser coisa de gente que não tem deus no coração. De gente que é aliada do capeta. Só pode ser. Faz a pesquisa aí, bota a pesquisa no ar: Você acredita em deus? Sim ou não? Eu tenho certeza que vai aparecer gente que diz não. Quer apostar comigo? Mas a grande maioria vai com a gente, não é? Porque esses crimes só podem ter uma explicação: ausência de deus no coração, não é?”
18′04″
“Olha, no meu modesto ponto de vista, eu sou contra, totalmente contra a pena de morte. Mas em casos como esse, de um sujeito que fuzilou o menino de dois anos de idade, menininho que tinha uma vida inteira pela frente, um sujeito como esses merecia ser no mínimo eletrocutado e eu apertaria o interruptor da cadeira elétrica. Rindo. Rindo. O sujeito que comete um crime desses não merece viver. Aí eu sou a favor da lei de Talião. Um pouco adaptada, né, porque a lei de Talião é você fazer o que o cara fez, entendeu? E não exagerar. Mas esse cara merecia ser eletrocutado, ter uma injeção letal ou coisa parecida. E eu sou contra a pena de morte. Mas num caso como esse… Ah, Datena, mas você está sendo muito agressivo! Agressivo? O cara é reu confesso, imagina se ele mata um filho seu de dois anos de idade, um neto seu de dois anos de idade, qual seria sua posição? Falta de deus no coração! Você quer ver como as pessoas que me seguem, por isso que eu acredito em deus. O meu amigo Edgar Ortiz sempre me diz ‘Deus é maioria, o bem é maioria’, quer ver? Eu fiz a pergunta ‘Você acredita em deus?’ E tem 325 pessoas que não acreditam [2573 acreditam]. Vocês que não acreditam, se vocês quiserem assistir outro canal, não tem problema nenhum. Eu não faço questão NENHUMA de que ateu assista o meu programa. Nenhuma. Agora, quem acredita em deus, seja evangélico, seja muçulmano, seja judeu, seja católico, qualquer religião, entendeu, de quem acredita em deus, continue comigo. Quem não acredita não precisa nem votar, não. Não precisa, de ateu não quero assistindo o meu programa. Ah, mas você não é democrático! Nessa questão, não sou não. O sujeito que é ateu, na minha modesta opinião, não tem limites. É por isso que a gente tem esses crimes aí. Agora, vocês que estão do lado de deus, né, como eu, como eu, podiam dar uma lavada nesses caras que não acreditam em deus. Votem em massa ali no 0xx11 8080-1155. Pra provar que o bem ainda é maioria. Mas votem, quero ver trinta mil votos das pessoas que acreditam em deus. Porque não é possível, quem não acredita em deus não tem limite. Não tem limite. Ah, Datena, mas tem pessoas que não acreditam em deus mas são sérias. Até tem. Até tem. Mas eu costumo dizer que quem não acredita em deus não costuma respeitar os limites. Porque se acha o próprio deus. Porque se acha o próprio deus. Esse é o detalhe, entendeu? Então vamos lá. Por favor, você que acredita em deus, dá uma lavada, vota aí, arrebenta com essa votação aí, se não travar essa pesquisa de tanto voto que vai ter. Quero ver chegar a trinta mil votos pra provar que o bem ainda é maioria. O Márcio, o sujeito quando foi pego, deixa direto essa pesquisa aí, que eu quero ver como as pessoas que são crentes, que são tementes a deus, são muito maiores que quem não teme a deus. Mas quero mostrar também que tem gente que não acredita em deus. É por isso que o mundo está assim. Essa porcaria. Guerra, peste, fome e tudo o mais, entendeu como é que é o negócio? São os caras do mal, entendeu? Se bem que tem ateu que não é do mal, mas o sujeito que não respeita os limites de deus é porque… ahn… não sei. Não respeita limite nenhum. Márcio Campos, o sujeito foi pego na casa dele, na maior tranquilidade. ‘Não, não, fui eu mesmo que matei’, pronto e acabou. E quero ver a votação, hein? Por favor, você que acredita, que confia em deus, que acredita no criador, arrebente com esse telefone aí… [...] Vamos botar trinta mil votos aí. Eu queria trinta mil votos aqui. Trinta mil votos eu queria. Por favor. Queria trinta mil votos. Eu queria pedir que você mostre que o bem é maioria. Que deus está no nosso coração. E que o mal não vai vencer, não. Apesar dessas barbaridades que nós estamos vendo por aí. Por favor, continuem votando. Não tira não essa pesquisa daí. Márcio Campos.
- Depois que o pedreiro praticamente descarregou a munição do revólver calibre 38, ele voltou para Felicidade, Datena. Isso mesmo. Ironicamente, a casa desse pedreiro fica no jardim felicidade, aqui na zona norte de São Paulo. Estacionou o carro dele dentro da garagem, entrou na sua residência e foi dormir. Assim os policiais militares da força tática encontram o homem que matou uma criança de dois anos, Datena.
- Eu acho que essa nossa pesquisa ainda tá meio devagar. Eu não sei se as pessoas não tão votando ou nós é que não tamos captando a totalidade dos votos. Tá meio devagar. Já era pra ter batido uns 15, 20 mil votos aí. Já era pra ter batido [placar corrente de 8518 a 649]. Vou manter a pesquisa no ar. Vou manter a pesquisa no ar. Segundo testemunhas, o acusado de matar esse garoto… acusado, não: réu confesso. Chegou atirando pra todos os lados. Ele ficou revoltado depois que a amante avisou que não queria mais nada por causa das constantes brigas. Matou um garotinho de dois anos de idade… que barbaridade. Ô gente… vamos bater 20, 30 mil votos logo aí. Vamos dar uma demonstração de que nós confiamos no criador! Que é isso? Porque o bem é maioria! Eu acredito nisso, eu professo isso, eu acordo de manhã pensando nisso.”
25′45″ [Depois de detalhes sobre o assassinato do garoto de 2 anos]
“Isso é um exemplo típico de um sujeito que não acredita em deus: matou um menino de dois anos de idade, tentou fuzilar 3 ou 4 pessoas. Mas matou com a maior tranquilidade, quer dizer: não é um sujeito temente a deus. Eu pediria a você do Norte, Nordeste do país, você do centro-oeste brasileiro, você aqui de São Paulo, você do Sul, não importa a religião. Se é evangélico, católico, muçulmano, judeu, não importa. Você que acredita em deus mostra aí pra quem não acredita que deus existe na sua opinião e que deus é maioria. Porque o bem é maioria. Tem quase mil pessoas dizendo que não acreditam em deus [15019 a 843]. Gente, vamos bater os 30 mil votos pra mostrar que este é um país que acredita em deus. E que as pessoas, antes de cometerem uma maldade contra a gente, seja qualquer tipo de maldade, desde a corrupção, que é uma maldade terrível, não é, desde a corrupção, desde os ladrões corruptos que levam dinheiro desse país, colocando as crianças nos semáforos, nas ruas, pedindo esmolas, colocando milhares de pessoas passando fome, desde a corrupção, desde a violência, que grassa por aí, que deus um dia vai acabar com tudo isso. Mas provem isso através da pesquisa, gente. Pediria a vocês que me acompanham há tanto tempo, há tanto tempo, porque hoje, as pessoas, mesmo as que acreditam em deus têm vergonha de dizer ‘eu acredito em deus!’, tendeu? Né? Eu não cobrando nada pra você falar isso não. Pelamordedeus. Eu só tou pedindo que você diga isso. Pra provar pra essas pessoas do mal que deus existe e que se eles não pagarem aqui vão pagar em outro lugar. Vão queimar no fogo do inferno pelo resto da vida. Se esses caras que matam criança de dois anos; estupram, violentam as nossas mulheres; violentam as nossas crianças, estupram, violentam as nossas crianças; batem nas nossas mulheres, batem nas nossas crianças; sequestram, matam… se esses caras não acreditam que existe a lei dos homens, que eles respeitem a lei divina. É por isso que eu quero 39 mil votos ali. E o mais rápido possível. O mais rápido possível. Os telefones estão congestionando. Vamos mostrar que deus é maioria, você do Brasil inteiro. Não importa a sua religião, eu respeito a sua religião. Entendeu? Ó lá! Tem quase mil ateus ali [18427 a 939]. Quase mil ateus. Quase mil ateus, gente que não respeita deus. Entendeu? Provável que entre esses ateus exista gente boa que não acredita em deus, não é? Mas que não é capaz de matar alguém. Mas é provável que tenham bandidos votando até de dentro da cadeia! Entendeu? Né? Vou provar pra esses caras que o bem é maioria. Eu quero ver 30 mil votos ali, no mínimo! 30 mil votos! Se acredita em deus ou não. [...] Eu quero provar que a maioria acredita disparadamente em deus. Vamos chegar a 30 mil rapidinho. Ô Márcio? Esse sujeito é um sujeito violento que não acreditava em nada. Esse não acreditava em nada mesmo. Pra fuzilar um menino de dois anos no colo da mãe, não acreditava em absolutamente nada.
- Da maneira como o crime foi cometido, Datena, ele não acreditava mesmo. Tanto é que o delegado, no momento em que fez o flagrante, já o está processando, acusando de homicídio qualificado, ou seja: motivo torpe, sem motivo, motivo absurdo, motivo torpe, fútil, a maneira como ele cometeu esse crime sem a possibilidade de defesa… como é que uma criança vai se defender? Como é que as pessoas que estavam lá iriam se defender? Então ele já está sendo processado, inclusive indiciado por homicídio qualificado, Datena.
- A mãe até tentou se defender pra correr com a criança atrás do carro. Foi perseguida e morta. Mas olha, veja você, viu, Márcio Campos, que mesmo, mesmo com tanta notícia de violência, com tanta notícia ruim, o brasileiro prova de uma forma definitiva, clara, que tem deus no coração. Quem não tem é quem comete esse tipo de crime. Quem mata e enterra pessoas vivas, quem mata criancinha, quem estupra, quem violenta, quem bate nas nossas mulheres… o Brasil de norte a sul, leste a oeste, está provando, pra todo mundo, que acredita no pai, no criador. Já, já, vamos chegar a 30 mil votos de pessoas que acreditam em deus [22358 a 1042]. Sabe? MAs Datena, você está fazendo uma pesquisa religiosa! EU TÔ! PRA MOSTRAR PRA ESSA GENTE DO MAL, e muitos deles, muitos deles, não to dizendo que todos que não acreditam em deus são pessoas capazes de matar porque tem gente que não acredita em deus e não mata nem uma barata, mas que muitos bandidos devem tar votando ali do outro lado, ó. Muitos bandidos devem tar votando ali do outro lado. Tem gente que não é capaz de matar uma barata. Não acredita em deus mas não mata uma barata. Agora, tem muito bandido votando do outro lado [23315 a 1072]. Quase 1070 pessos. Não é? Quem não acredita em deus geralmente não tem limites. Esse sujeito era um cara violento que gostava de confusão e beber. Assim era descrito o pedreiro que matou a criança de dois anos no colo da mãe. Na tela.”
38′40″ [Depois de matéria sobre o atropelamento do filho de Cissa Guimarães.]
“Olha, o sujeito que estava no banco do carona do carro que atropelou e matou o filho de Cissa Guimarães volta à delegacia para prestar novo depoimento. Deixa a pesquisa aí! Das pessoas que acreditam em deus. Porque tem gente que acredita em deus e tem medo de falar. Vamos bater logo 50 mil votos, 40 mil votos, aí. Tem quase 2 mil que não acreditam [36705 a 1471]. Entendeu? Quase 2 mil que não acreditam. Eu respeito até gente que não acredita em deus e que é gente de bem. Tem gente de bem que não acredita em deus. Que acredita que ele mesmo seja deus. Entendeu? Mas que não é capaz de matar ninguém. Que não comete nenhuma atrocidade. Mas os bandidos que matam, mas que matam com prazer, esses não acreditam em deus também. Entendeu? Então vamos provar que o bem é maioria e que deus existe. Vá por favor, 0xx11 6060-1155, quase 40 mil pessoas dizendo que acreditam em deus, quase duas mil dizendo que não acreditam. Ah, Datena, eu sou ateu mas eu nunca matei ninguém. É. Se você não acredita em deus, você acredita em quem? Você mesmo? Se você não acredita em deus, nunca matou ninguém, nunca fez mal pra ninguém, muito bem, parabéns. Mas quem mata com crueldade, quem enterra vivo, quem estupra, quem violenta criança, também não acredita em deus. Não acredita. Pode até falar que acredita mas não acredita. Entendeu? Essa é a história. Agora, apesar de todo esse quadro negativo que nós enfrentamos, quase 40 mil pessoas tiveram coragem de vir a público [38883 a 1549] e dizer ‘eu acredito em deus. Eu tenho deus no meu coração e acho que esse país vai virar e que esse mundo vai virar’. Mas precisa ter vontade de falar que acredita em deus abertamente. Quase 40 mil pessoas. Quase 40 mil pessoas. Vamos chegar em 50 mil já, já.”
42′09″
“Deixa a pesquisa aí. Tão me pedindo pra tirar a pesquisa POR QUÊ? Eu quero chegar a 50 mil votos de pessoas que acreditam em deus [42430 a 1679]. Porque mesmo nessa situação que nós vivemos no Brasil e no mundo, o bem é maioria, isso que eu quero mostrar, mais nada. Que o bem é maioria. O bem é maioria.”
45′59″
“Olha, as pessoas estão me perguntando, quem está ligando agora aqui, por que que eu tô fazendo essa pesquisa, ‘você acredita em deus’. Porque eu vejo tanta barbaridade há tanto tempo que eu acredito que a maior parte dessa barbaridade seja realmente a ausência de deus no coração. Isso eu acredito mesmo, professo isso. Falo isso e vivo isso. Entendeu? Mas tem gente que já me ligou e disse assim: Datena, eu nunca acredito em deus, nunca matei, nunca roubei, nunca fiz mal pra ninguém. Tudo bem. Eu até respeito essa posição. Mas a maioria de quem mata, de quem estupra, de quem violenta, de quem comete crimes bárbaros, já esqueceu de deus há muito tempo. Há muito tempo. E até nós, que permitimos que essas pessoas maldosas façam isso, acreditamos em deus mas temos vergonha de falar que acreditamos em deus. Eu não, eu sempre falei. Mas muita gente tem. Tem ou não tem? Tem ou não tem? Pensa bem se não tem. Não é? E pra você que é gente boa, porque prum bandido, prum canalha que não acredita em deus e mata, é capaz de matar um menino de dois anos de idade, pra esse eu não vou fazer nenhuma pergunta, mas pra você que é gente de bem e que não acredita em deus, que acha que o mundo surgiu do nada, me explique o nada absoluto. Vamos voltar até onde a ciência explica que o mundo começou a existir, que é o big bang. Aquela explosão deu origem a uma nuvem de poeira e aí os planetas se formaram, o universo está em expansão, agora vamos voltar para o começo, que é o que o mundo vai fazer – vai voltar pro começo, um dia vai voltar ao começo – me explique o nada absoluto. O que é que existia antes dessa primeira explicação que a ciência dá? Tente explicar pra mim, você que não acredita em deus, o que que é o nada. Só de você já pensar no nada e explicar ou tentar explicar o nada já é alguma coisa. Por isso que é impossível que deus não exista. Sabe? Por isso que é impossível, é claramente impossível que deus não exista. Não tem essa possibilidade na minha concepção e de bilhões de pessoas. Não é? Isso eu tô dizendo pro cara que não acredita em deus e que nunca matou, que nunca roubou, nunca fez mal a ninguém. Porque a maioria que faz isso que eu falei realmente não acredita em deus. Tá pouco se lixando. Agora tá provado que deus é maioria, disparado. 50 mil [50183 a 2086]. Pode até parar a pesquisa que se quiser, vai a 100 mil. Mas vamos parar por aí porque deus deu de goleada. Deus deu de goleada. Graças a deus. Deu de goleada. Obrigado a vocês que me acompanham a tanto tempo pra provar isso, que apesar de tudo que acontece nesse país, as pessoas ainda continuam acreditando em deus.”

sábado, 31 de julho de 2010

O Norte – Estudantes aprovam sistema de cotas

http://www.jornalonorte.com.br/2010/07/30/diaadia2_0.php

Primeiro Caderno | Dia-a-dia
Edição de sexta-feira, 30 de julho de 2010

Alunos de escolas públicas consideram positiva a mudança no PSS 2011 da UFPB, anunciado na quarta
Lucilene Meireles // lucilenemeireles.pb@dabr.com.br

Estudantes e professores comemoraram a decisão do Conselho Superior de Ensino, Pesquisa e Extensão (Consepe) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) que estabeleceu 25% das 7732 vagas para os sistema de cotas. O percentual representa 1933 vagas destinadas a portadores de deficiência (5%), indígenas (0,29%) e 56,25% aos que se consideram pardos e pretos. Mestres e aprendizes lamentam, no entanto, que apesar de aumentarem as chances de entrada dos estudantes da rede pública de ensino na universidade, as mudanças representam a baixa competitividade destes alunos em relação aos que estudam na rede privada.


Marcia Raquel e a amiga Aline Carla Pereira se preparam para o vestibular Foto: Alessandro Assunção/ON/D.A Press
Candidata a uma vaga no curso de Arquitetura, a aluna do 2º ano Aline Carla Pereira Rodrigues, 15, acredita que terá mais oportunidade de garantir sua vaga na UFPB com a novidade, mas tem certo receio em relação ao sistema de cotas, medo de ser vista como incapaz de concorrer com os demais. "Na verdade, acho que o ensino público é deficiente e isso nos deixaum pouco atrás de quem sai das escolas particulares. É claro que falta interesse do aluno, e é preciso mais preparo dos professores, sem falar nas greves que atrapalham demais nosso desempenho. Mas, a realidade é esta", observou. O presidente da Coperve, João Lins, concorda com a opinião da estudante. "O aluno tem que estudar, se empenhar. E a escola precisa melhorar o ensino oferecido", sugeriu.

A aluna do 2º ano Márcia Raquel Félix da Costa, 16, que pretende cursar Administração, considera a mudança positiva. "Antes a maioria das vagas era preenchida por alunos de escola privada. Agora, acho que será mais fácil garantir uma vaga na universidade", observou. Por outro lado, o professor de uma escola pública em João Pessoa Tomaz Passamani entende o sistema de cotas como "um jeitinho". "É muito mais fácil jogar algo que aparenta solucionar o problema quando, na verdade, a solução seria uma educação de qualidade. É como um antitérmico que acalma a febre, mas não ataca a causa", comparou. Mesmo assim, ele acredita que a nova regra vai aumentar o número de alunos da rede pública de ensino na universidade. "A solução, no entanto, seria investir numa qualidade maior do ensino", completou.

Além destas mudanças, as novas regras do Processo Seletivo Seriado acabaram alterando o período de inscrições para o concurso. Marcadas inicialmente para acontecer entre 10 e 29 de agosto foram adiadas para setembro. O edital, que ainda não ficou pronto, trará a data específica. As provas, geralmente realizadas nos meses de novembro e dezembro, vão acontecer nos dias 5 e 6 de dezembro - primeira etapa - e 9 e 10 de janeiro de 2011 - segunda fase.

João Lins explicou que, no caso da aplicação das provas, as novas datas levam em conta que o Ministério da Educação (MEC) marcou para o dia 21 de novembro as provas do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) que vão acontecer em escolas da rede pública que seriam utilizadas, na mesmo data, para a prova do PSS 1. Também seria impossível realizar as provas antes do dia 21 de novembroe nos dias 28 e 29 de novembro. Nos dois últimos, estarão sendo aplicadas as provas do vestibular da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB). Sobre isso, as estudantes afirmam que tem um lado bom e outro nem tanto. "Vai ser bom porque teremos mais tempo para estudar. Só que, com a segunda etapa acontecendo em janeiro, vai ser justamente no período em que estaremos de férias. Atrapalha um pouco o lazer, porque vamos ter que parar para estudar", disse Márcia. No PSS 2011, ambas farão as provas relativas ao 1º e 2º ano.